quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pedaços da vida

Estava sentada perto de um riacho, onde pela água limpida desfilavam pequenos seres aquaticos, atravessando pedras coloridas e alguns nenufares, quando comecei a pensar:
Será que o ser humano foi criado para amar? Será que o ser humano foi criado para ser amado? Será que o verdadeiro amor existirá? Ou, o mais importante de todos, SERÁ QUE EXITE AMOR?
Foi então que comecei a caminhar, pela berma das límpidas águas cristalinas, e reparei num intrigante casal idoso, sentados sobre uma toalha estendida no chão, com um cesto de pique-nic, petiscando alguma coisa. Foi neste preciso momento que eu os invejei. Nos seus rostos encovados, marcados por inumeras rugas que o tempo fez questão que cravar e delineados por finas madeixas de cabelo branco, brilhavam como pedras preciosas os seus já cansados olhos. Mas que seria aquele brilho que eu naquele momento tanto invejava? Que seria aquele brilho com o qual eu tinha ficado maravilhada? Pensei. Pensei mais um pouco. Tudo me passou pela cabeça; teoria atrás e teoria, cada uma parecia melhor que a anterior, no entanto, não perfeita o suficiente para descrever o brilho que eu via diante de mim, naque
les rostos idosos, quando os seus olhares se encontravam. Desisti por momentos, e segui o meu caminho, pelo riacho abaixo, até aquela pequena casa de férias escondida no coração da Serra do Gerês. Anoiteceu. Quando mais escuro o ceu ficava, mais intensamente aquela imagem do casal de idosos ia aparecendo na minha cabeça. Deitei-me, com a janela aberta, para poder admirar o luar estrelado. No entanto, aquele cintilar das estrelas nao me fascinava, nada se comparava ao que eu detinha em meu pensamento. Alí, deitada, olhando as estrelas, recomecei a pensar naquela paisagem idosa. Foi então que recordei aquilo que tinha estado a pensar e questionar, precisamente uns minutos antes de ter ficado fascinada com tamanho brilho. De repente, um clarão iluminou o meu pensamento, parecendo ter encontrado a resposta para aqueles olhares. Eram olhares de ternura; eram olhares de um VERDADEIRO AMOR, o qual nem a idade, por muita que fosse, não conseguia apagar; eram um olhar que procurava no olhar do outro a sua felicidade, e que cintilava assim que os dois se cruzavam; era um OLHAR PURO e INOCENTE! Neste momento, ainda os invejei mais; também eu queria ter alguém com quem partilhar assim momentos, com quem pudesse encontrar um brilho sem fim, que nem a idade extinguisse. No entanto, um pequeno sorriso no meus lábios ia-se delineando cada vez mais no meu jovem rosto: era um sorriso motivado por ter encontrado a responsta a todas as minhas duvidas. Era a prova que o ser humano nasceu para ser amado, para amar, e mais importante: O AMOR existia e era um AMOR VERDADEIRO. Reconfortei-me, admirei mais uma vez as estrelas, apaguei a luz, e, disse " Amanha volto lá!".