quarta-feira, 13 de abril de 2011

Momentos

Há alturas na vida que pensas ter tudo controlado. Pensas que nada pode fugir do teu controlo, tens tudo na palma da tua mão, uma vida idealizada, um futuro ao lado das pessoas que mais amas, pessoas com quem contas estar sempre na tua vida da mesma maneira. No entanto, um certo dia, acordas. Vês que tudo isto, todas estas coisas não são a vida real. Acordas desse teu cantinho, onde te protegias de todos os riscos e desilusões do Mundo. Vês que no Mundo real nem tudo se mantém estabilizado. O que tu pensavas ser a realidade foi um sonho ao qual te agarraste durante anos, construíste uma muralha à volta dele, incapaz de ser destruída por tristeza, magoa, sofrimento, amargura, desilusão. No entanto, quando a primeira flecha é disparada contra a tua forte barreira, quando os canhões, cuja pólvora é um misto de todos os restante sentimentos, negativos mas bem reais, vês que ela não é assim tão infalível. Quando sentes o primeiro embate, vês que a muralha não era assim tão forte pois ela começa a sentir um abanão, começa a ceder aos poucos. Vês que a primeira marca já se encontra lá, e que para sempre para lá ficará. Então, um outro canhão dispara, uma outra seta dispara, cada uma delas com um certo sentimento, cada uma deixa uma marca que jamais poderá ser apagada, uma marca definitiva. Uma marca que com o tempo se poderá ir escondendo, mas, que na verdade nunca deixara esta muralha descansar em paz. Agora imagina que esta muralha é a tua consciência. Agora pensa que estas flechas, canhões, pólvora e outros mísseis que te poderão atingir, não são na verdade armas de guerra, capazes de matar e massacrar, são apenas sentimentos bem reais que enfrentas, com os quais convives bem de perto e com os quais sofres, são a mágoa que sentes dentro de ti, uma turbilhão de pensamentos negativos que assombram a tua mente diariamente. Pensa que tudo isto é apenas a vida cruel que algumas pessoas vivem. 

Então chegas a uma altura, depois de acordares do teu sonho, depois de veres que a tua muralha se encontra quase em ruínas, também os sentimentos, também as pessoas, tanto as que mais amas como as que mais odeias e até mesmo as que te são indiferentes, são capazes de te alvejar, mesmo que não seja intencionalmente, mesmo que o façam inconscientemente, no entanto, acabam por o fazer. Iniciam um massacre, muito parecido ao das armas usadas pelos soldados, no entanto com uma única diferença: não matam, apenas deixam marcas, marcas essas que não se apagam.