Estás sozinha. Desiludida. Amargurada. Não te apetece fazer
nada. Não tens paciência para nada nem ninguém. Só te apetece meter-te na cama
e viajar pela mais profunda solidão. Não consegues evitar derramar uma lágrima
quando o teu pensamento te leva pelo caminho que evitas a tudo o custa
relembrar. No entanto, acabas sempre por te cruzar com esse pesadelo que
atormenta a tua existência. Neste momento nada te consegue animar. Nada te
consegue fazer acordar desse tormento que vai na tua cabeça. Porém, encontras
uma solução para aliviar esse teu espírito sombrio. Não é uma pessoa. Não é um
animal. É algo sem vida, mas que te vai dar vida. É a música. É a ela que
recorres quando estas a deprimir. É a ela que recorres para tentar esquecer. É
ela que sempre te acompanha. É ela que te inspira. É ela que te anima. É aquela
melodia interminavelmente bela, harmoniosa, suave, que vai fazer esses
pensamentos dramáticos pararem. Passado uns minutos dás por ti a deixar as
palavras fluírem pelas paredes do teu quarto. As palavras que compõem a musica.
Continuas com essa bela melodia, essa que te fez mudar de espírito. Deixaste de
estar com aquela expressão cabisbaixa para uma expressão mais convidativa. Tudo
graças aquela bela melodia. Aquela música que te preencheu a cabeça quando um
turbilhão de pensamentos negativos te arrastavam. Agora estas bem. Acordas. O
novo dia te espera. Um dia mais feliz. Um dia inspirado naquela melodia suave,
feliz que naquela noite ouviste, agarrada a uma almofada, enquanto dos teus
olhos caiam pequenos rios de lágrimas. Lágrimas essas que secaram e nunca mais
voltaram a cair.
